sábado, setembro 1

Labirinto.


Seus olhos serrados buscavam um certo conforto na direção dos pensamentos, diziam que ela não deveria ter medo e que tudo ficaria bem. A luz do sol batia em sua bochecha reluzindo o tom rosado de sua pele. Ela fez menção de falar, mas após abrir a boca para dizer algo, respirou fundo e abaixando a cabeça desistiu. As mãos permaneciam descansando sobre um corte, a calça deveria ter alguns anos de caminhada já que sua cor se mostrava envelhecida e alguns rasgões indicavam isso. Seus olhos perdidos permaneciam olhando na mesma direção, tão longe que se perderam...

quinta-feira, agosto 23

About one dream...

segunda-feira, agosto 6

Profundo. Pro fundo., (Reflexão)

Estou dizendo que minha cabeça de vez em quando quase tomba. Não sei ao certo como ela ainda pode ser sustentada, meu corpo parece ser mais forte do que eu. Um peso gigantesco quase me leva a nocaute e se eu cair vou direto pro chão, meu corpo vai para o chão, mas minha mente permanecerá caindo e caindo e caindo numa queda livre onde o profundo do meu ser chega em silêncio à um labirinto. Pro fundo do meu ser. Digo que minha cabeça já não sustenta mais o que sou, pareço pesar dentro de mim, e já não entendo mais como posso permanecer de pé. Perco-me dentro do que sou e me procuro fora de mim, aigo pelo labirinto tentando chegar em meu coração, que aida pulsa em meu calar. Estou em queda livre e já não sei mais quem eu sou. Vejo minha vida passar diante dos meus olhos e me cego pelo que sei que sou, pela única certeza do que se é ser. Caio em reflexão, no profundo do meu ser, pro fundo de mim. Caio...

segunda-feira, julho 23

Você já escutou uma voz que sai de dentro e fala ao pé do seu próprio ouvido?

Coisas.

Estive pensando em coisas. Essas coisas que de repente aparecem e somem. Pensei no que sumiu e no que apareceu. Volta e meia eu ando por aí, meio perdida de mim mesma. Me encontro na meia volta que dou, bem ali parada naquela esquina, sem saber ao certo se vou para a direita ou para a esquerda, não importa, nunca importou, no fim eu chego no começo e vou para a frente. Não gosto de voltar atrás, mas as vezes voltar atrás significa virar para a direita. Ou para a esquerda. Não importa. Ando sem destino, no começo eu pensava que andar significava encontrar alguma coisa. Nem sempre encontro. Não encontrar significa achar alguma coisa? Estive pensando também, nessas voltas. Paro e penso, não sei ao certo quanto tempo paro nem quanto tempo penso, sei que, volta e meia eu paro, volta e meia eu ando e fico assim, dando voltas em torno de mim mesma, sem querer voltar ou ir. Sem querer parar. Agora eu me encontro num lugar onde eu não imaginava estar, cheguei aqui sem saber aonde eu estava indo. Isso pode significar algo, digo, isso pode significar alguma coisa? Essas coisas podem significar algo? Esse algo pode significar alguma coisa? Não sei ao certo, o certo é que sei o que acontece, parece que nunca acontece nada, parece que nada de vez em quando vira um todo. Está me ouvindo? Me vejo sentada ali e aqui, me vejo lá e não sei ao certo aonde estou. De vez em quando, essas coisas, me dão um calafrio, alguma coisa me dá um calafrio, que coisa é essa? É calafrio? Não sei bem ao certo. Agora eu sei, ainda tenho que caminhar, ficar parada não resolve nada, daqui pra frente eu chego lá e bem ali eu sento. Vou saber que caminhar nem sempre me leva a algum lugar, nem sempre caminhar quer dizer que eu vá sair de algum lugar. Queria mesmo, era sair do chão.

quinta-feira, julho 19

O que você faz quando está envolto de muita felicidade?

Eu me escondo!

sexta-feira, julho 13

In the sky.

domingo, julho 8

Doce.

Digamos que esse foi o melhor final de semana do ano, com a melhor família e com a mais nova família. Digamos também que acabou, me agarro, agora, a uma doce lembrança e uma grande certeza, retorno.

Amei!

Correnteza de Tom Jobim.


A correnteza do rio vai levando aquela flor
O meu bem já está dormindo
zombando do meu amor
zombando do meu amor

Na barranceira do rio o ingá se debruçou
E a fruta que era madura
a correnteza levou
a correnteza levou
a correnteza levou, ah

E choveu uma semana e eu não vi o meu amor
O barro ficou marcado aonde a boiada passou
Depois da chuva passada céu azul se apresentou
Lá na beira da estrada vem vindo o meu amor
vem vindo o meu amor
vem vindo o meu amor

Ôu dandá, ôu dandá, ôu dandá, ôu dandá

E choveu uma semana e eu não vi o meu amor
O barro ficou marcado aonde a boiada passou

A correnteza do rio vai levando aquela flor
E eu adormeci sorrindo
Sonhando com nosso amor
Sonhando com nosso amor
Sonhando...

Ôu dandá...

quarta-feira, julho 4

Descontentamento

Pensa que tem algum propósito?
Está jogado na imundície de consciência
Achando que sabe, é demência
Sua mente suja e perversa!

Pouco que viu não é nada parecido
Com a dor que eu poderia ter-lhe oferecido
Poderia pedir clemência por horas
Chamar-te-ia ao ouvido, Querido!

Terás um contante sabor amargo
Na boca um gosto de fracasso e podridão
Tu és um porco safado, uma bichona velha.
Ponha-se no seu lugar.

quarta-feira, junho 27

Rock Around The Clock.


One, Two three o´clock, four o´clock rock
Five, six, seven o´clock, eight o´clock rock
Nine, ten, eleven o´clock , twelve o´clock rock
We´re gonna rock around the clock tonight

Put your glad rags on, join me , Hon
We´ll have some fun when the clock strikes one
We´re gonna rock around the clock tonight
We´re gonna rock, rock, rock, ´till broad daylight
Gonna rock, gonna rock around the clock tonight

When the clock strikes two, three and four
If the band slows down we´ll yell for more
We´re gonna rock around the clock tonight
We´re gonna rock, rock, roc, til broad daylight
Gonna rock, gonna rock aroun the clock tonight

When the chimes ring strikes five, six and seven
We´ll be right in seventh heaven
We´re gonna rock around the clock tonight
We´re gonna rock, rock, roc, til broad daylight
Gonna rock, gonna rock aroun the clock tonight

When it´s eight, nine, ten, eleven too
I´ll be goin´ strong and so will you
We´re gonna rock around the clock tonight
We´re gonna rock, rock, roc, til broad daylight
Gonna rock, gonna rock aroun the clock tonight

When the clock strikes twelve, we´ll cool off then
Start a rockin´ round the clock againg
We´re gonna rock around the clock tonight
We´re gonna rock, rock, roc, til broad daylight
Gonna rock, gonna rock aroun the clock tonight

domingo, junho 17

Certas noites.

Certas noites me fazem lembrar um passado remoto. Essas noites são agradáveis. Sabe aquela sensação constante de que não vai acabar (e eu bem queria que não acabasse), sinto. Uma euforia de ver estrelas no céu e não esperar o dia amanhacer. Não esperar absolutament nada. Mas sei que vai amanhecer, mas amanhã, amanhã poderia estar nublado, ou poderia simplesmente não estar. Diante disso e daquilo outro, eu queria parar no tempo, parar neste exato momento, do qual a noite me consome e eu, eu a devoro e me delicio com cada pequeno pedaço da escuridão. Sabe aquela sensação? Dejá Vu.

quinta-feira, junho 14

Passarinho.

Fico feliz de ser sua musa inspiradora. De ser posta em palavras, rodopiar sobre seus pensamentos. Quero que cante passarinho, você sabe como cantar, bem baixinho no meu ouvido. Mas não cante para ele. Acha que não sei do que se trata? Estou sempre a espreita, passarinho. Não cante para ele, que sequer é algo. E o que é, é nada. Cante para mim, baixinho no meu ouvido. Cante! Cante passarinho.

quarta-feira, junho 13

É noite. Embora o sol esteja brilhando lá fora. Repito que é noite. Aqui dentro, não dentro da casa, dentro dessa estrutura que me sustenta é noite, bem aqui dentro, bem no fundo está escuro, frio. É dia. Embora a noite esteja escurecendo minhas vistas. Repito que é dia. Lá fora é dia, e posso sentir isso por uma quentura que me invade. Já não sei mais o que é. Eu poderia passar horas sentada na mesma posição, olhando para o mesmo lugar, sem pensar em absoluamente nada, pensar em não pensar. Ah Elo! Você foi esquecida porque esqueceu. Brilha!

quinta-feira, junho 7

São seus olhos.

Não, o dia realmente está lindo!

São seus olhos.

quinta-feira, maio 31

Luci e Mauro.

"Quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo." Clarice Lispector, in A Hora da estrela.

O que havia entre os dois era realmente um caso de amor, ele sempre entendia cada palavra que ela falava como se ela houvesse dito-as antes e nessa hora ele sentia que a conhecia de vidas passadas - dejá vu. Ele conseguia entender todos os defeitos de Luci e passaria por cima de todos estes pequenos detalhes, afinal, o que havia entre eles era realmente um caso de amor. Ela dava a ele bastante carinho, sempre quando ele chamava, e mesmo quando eles brigavam, ela ficava ali, bem perto dos pés de Mauro, algumas vezes ela até dormia e ficaria por horas daquele jeito, se ele quisesse.

Os problemas começavam na hora de ir dormir, no momento da separação, eles não mais dormiam juntos. Algumas vezes ele gemia tão estridentemente na sala que ela imaginaria um ferro sendo cravado fundo na garganta dele. Quando ele gemia, ela tinha medo. Tremia só de pensar que ele poderia estar ficando louco. Quando ela já não aguentava mais aquele som aterrorizante o pegava de jeito e dava uma bela surra. Minutos depois ele ficava calminho e dormia aos pés da cama. Uma surra para uma noite calma de sono. Mauro era adorável é louco, aquelhes olhos sempre pediam um pouco mais de carinho, por mais que fosse dado, submisso ele farejava em volta.

Um dia ela chegou em casa e encontrou tudo destruído, roupas rasgadas, objetos quebrados, sua caixa de lembranças de toda uma vida no chão, papéis espalhados pela sala. Aquilo era demais, ele estava destruindo a vida de Luci, destruindo aquela casa que ela mantinha com tanta organização, ela não poderia mais aguentar aquelas loucuras. Ele veio se aproximando com aqueles olhos, de quem acabou de cometer uma travessura e sabe que vai levar umas palmadas, com o rabinho entre as pernas, mas o olhar mudou e ele começou a babar e gemer. Mauro correu em direção a Luci, ela se encontrava acuada entre a parede e com medo, um medo que subiu pelo coluna vertebral. Antes que Mauro a tocasse, Luci correu para achar algo que lhe desse proteção. E Mauro se escondeu, como em uma brincadeira. Aquilo tinha passado dos limites! Ela foi até a sala, observando fotos espalhadas pelo corredor, toda aquela bagunça, e por um minuto repensou sua vida. Encontrou o animalzinho branco de focinho rosado, e apanhando um pedaço de pau bateu, bateu e bateu até que o bicho se tornasse um mingau de sangue e ossos partidos em pêlos claros onde boiavam um par de olhos abertos que não morriam.

É só um sonho?

Bem que me disse o teu nome
Para dizer aos teus olhos sem dono
Sinto que disse: "Me Ame!"
Foi um encontro perdido no sono?

sexta-feira, maio 18

É preciso fritar o arroz bastante antes de colocar a água fervendo. E não pode mexer jamais depois de a água ser posta. O alho deve fritar no óleo junto com o arroz. Coisas que eu sei e que não. Eu sei muitas coisas. Faxina, por exemplo. Se limpar uma casa de tal modo que não sobra um canto que não tenha sido tocado por minhas mãos. Depois vou sujando. Com muito gosto,. Deixo peças na sala e louças sujas na pia. Na mesma hora, mas um pouco bastante depois volto limpando. Assim me faço. Nos objetos que me acompanhan. Gosto de andar nas ruas e comprar coisas que vão se arrumando em torno de mim. Eu tenho muitas coisas, quero dizer, muitas camadas. Uma camada de livros, outra de sapatos. Tem a camada de plamtas. E toalhas de rosto. Tenho camada de cosméticos e adereços. Uma camada de nome e coisas que vejo. Tudo ordenado ao meu redor. Em forma de corpo. Um corpo que me sustenta. Quando o meu próprio me falta. Cadeiras são meus ossos. Sapatos são meus braços. Torneiras em meus poros. Paredes como roupa de inverno. (Quando toca música em minha casa sai do umbigo.). Descanso recostada nas paredes da casa que me guardam como um abraço. Me abraço quando me derramo na sala. E na cozinha. Em geral adormelo no quarto. Tudo em minha casa tem existência. Todas as coisas significo. Com os olhos. Ou com as mãos. Minha casa tem silêncios que "as vezes ouço. E faço poemas. Faço poemas dos silêncios que ouço. Ando com mania de lustra-móveis e ceras líquidas. Olho um por um nas prateleiras. Sinto a textura e o cheiro. Espalhando um pouco entre os dedos. Prefiro os de textura fina e que cheiram a jasmin (gosto mais do aroma floral mas a palavra jasmin é tão bonita). Levo todos para casa e vou espalhando. Primeiro o assoalho. Considero todos os cantos. Depois os móveis com as mãos vou tateando. Um por um. Em reverência. Ao que me sustenta quando me desamparo. As casas me sustentam em mim. Por isso as quero em detalhe. Bem cuidadas e cheia de espaços onde novas coisas se deitam. Costumo encontrar tesouros escondidos nas dobras das colchas. E nas louças sujas na pia. Tenho muitas janelas. Que é por onde o sol e a chuva me visitam. O vento aqui também é muito forte. Às vezes derruba tudo e eu gosto. Mas aqui também cabem pessoas. Tem sempre lugar para pessoas em mim.

Viviane Sodré, psicologa, psicanalista e doutora em filosofia. Fragmentos de Desato.

terça-feira, maio 8

Achava belo, a essa época, ouvir um poeta dizer que escrevia pela mesma razão que uma árvore dá frutos. Só bem mais tarde viera a descobrir ser um embuste aquela afetação: que o homem, por força, distinguia-se das árvores, e tinha de saber a razão de seus frutos, cabendo-lhe escolher os que haveria de dar, além de investigar a quem se destinavam, nem sempre oferecendo-os maduros, e sim podres, e até envenenados.

Osman Lins: Guerra sem testemunhas.

quarta-feira, maio 2

Folha Seca

A: Sabe, tenho um terrível amor à vida, embora, já tenha pensado em dar cabo nela.
B: Embora tenha pensado eu mesma em dar fim nela, tenho amor a alguma coisa.
A: Hoje pela manhã, escutei um pássaro cantar na minha janela. Adoro pássaros, principalmente aqueles de canto doce. Quando ouço um cantar, meu coração se enche de alegria.
B: Ouço os pássaros quando paro de escutar tantas outras coisas a minha volta, dificilmente os ouço, já que o barulho dos carros, o som alto do rádio, os batuques os barulhos um prego um martelo um barulho infernal, para. Minha vida, outra casa, porque eles não me amam, quando é que tudo isso um dia vai poder talvez parar, como tudo começou, como, como uma comida cada dia mais sem gosto, um sabor amargo de viver, esse barulho infernal que não acaba nunca, eu tenho vontade de dar um murro na parede, de subir naquele morro e me jogar lá de cima.
A: Tenho ganhado tantas flores pelos caminhos que percorro. Flores coloridas, de todos os tipos e cheiros. A última tinha um cheiro doce levemente aveludado com um fundo vanilhado, ela era branca. Penso nas flores e vejo essa terra avermelhada, essa terra que tudo brota, de onde nasci e para onde voltarei um dia. Que dia lindo. Já viu como o céu está azul?
B: Os caminhos que percorri me presentearam com lindas rosas vermelhas, cheias de espinhos, com elas histórias com um fim, digamos que, trágico. Sempre ganhei rosas. O que vejo, agora, é lama a minha volta, e está muito escuro aqui. E não há nessa história nenhuma borboleta branca voando a lama na escuridão. Já reparou nesse céu? Dias de sol são irritantes. Tenho me sentido bem em dias nublados, dias cinzentos, como meus olhos.
A: Sempre falaram que tenho um olhar doce, e mesmo nos momentos de raiva permaneço com uma certa doçura neles. Lembra quando quase nos separamos? Quem olhasse não diria que estávamos com problemas tão sérios. E mesmo assim eu permanecia olhando docemente para as pessoas.
B: Mas sempre me disseram que meu olhar é indecifrável, uma grande incógnita, embora, eles olhem profundamente procurando te decifrar. Você sempre fingiu muito bem, soube muito bem pintar os olhos de sorrir ou chorar, e a culpa é sua.
A: Vivo por nós, respiro você. E a culpa é minha? Você que vive na escuridão.
B: Vivo na escuridão para que você viva na luz. A culpa é minha? Tenho tido péssimas noites de sono, estou dormindo muito pouco, e quando durmo tenho pesadelos. Fico o dia inteiro zanzando de lá para cá sem saber direito o que fazer. Não paro de pensar nisso tudo a minha volta e tenho me preocupado mais contigo do que comigo, eu já não importo mais tem muito tempo.
A: Porque fazer isso? Eu ainda sou importante de alguma forma? Quero te ter comigo, ou não me tenho.
B: Tenho as pétalas vermelhas secas guardadas, para que um dia, lá de cima daquele morro, você as jogue no momento exato em que eu estiver pulando. O dia vai estar ensolarado, o céu vai estar diferente e não vai ser primavera nem verão. Eu vou abrir os braços sentindo o vento bater no meu cabelo, respirarei fundo e escutarei os pássaros cantar. Nesse exato momento eles cantam. Vou inclinar meu corpo para frente, e não mais pensar em nada. Sentirei cheiro de flores, baunilha, e cairei, devagar, o vento batendo no meu corpo, cairei sobre um manto de folhas secas.
A: Dorme vai. Amanhã o dia vai estar bonito, nublado, esses dias cinzentos que você tanto gosta. Você vai sair, e eu vou ficar. Esperando um dia ensolarado. Há algo que nos espera, amanhã, ou depois.